Rosana das Neves Matos da Luz
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16 Jun
16Jun

O laudo de autismo é um documento muito importante para pedir o BPC/LOAS, mas ele não garante sozinho a aprovação do benefício. Para conceder o BPC, o INSS também analisa a renda da família, os impedimentos da pessoa autista e as barreiras que dificultam sua participação na sociedade.

Muitas famílias acreditam que, ao apresentar o diagnóstico de TEA, o benefício será concedido automaticamente. Porém, na prática, o INSS faz uma avaliação mais ampla.

O que é analisado no BPC/LOAS para autista?

O BPC/LOAS é um benefício assistencial pago à pessoa com deficiência que vive em situação de baixa renda. No caso da pessoa autista, o laudo médico é essencial para comprovar o diagnóstico, mas o INSS também observa outros pontos.

Entre eles estão:

  • a renda das pessoas que moram na mesma casa;
  • a atualização do Cadastro Único;
  • as limitações causadas pelo autismo no dia a dia;
  • a necessidade de terapias, cuidados e acompanhamento;
  • as barreiras sociais, escolares, familiares e de comunicação;
  • a situação econômica real da família.

Por isso, não basta apresentar apenas um laudo com o CID. É importante demonstrar como o autismo afeta a vida da criança, adolescente ou adulto.

O autista precisa ser nível 2 ou 3 para receber o BPC?

Não necessariamente. O que importa não é apenas o nível de suporte descrito no laudo, mas o impacto do autismo na vida da pessoa.Uma pessoa autista nível 1 também pode ter direito ao BPC/LOAS, desde que fique comprovado que existem impedimentos de longo prazo e barreiras que dificultam sua participação em igualdade de condições com as demais pessoas.Cada caso precisa ser analisado de forma individual.

A renda da família também é analisada

Além da deficiência, o INSS avalia a renda familiar. Em regra, a renda por pessoa da família deve ser baixa, mas a análise não deve se limitar apenas ao número final.

Gastos com tratamentos, medicamentos, terapias, transporte, alimentação especial e outras despesas podem ajudar a demonstrar a realidade da família.

Por isso, é importante organizar documentos que mostrem não apenas a renda, mas também os gastos e as dificuldades enfrentadas.

Quais documentos podem ajudar no pedido?

Além do laudo de autismo, podem ajudar:

  • relatórios médicos atualizados;
  • relatórios de psicólogo, terapeuta ocupacional, fonoaudiólogo e outros profissionais;
  • comprovantes de terapias;
  • receitas e exames;
  • comprovantes de despesas;
  • Cadastro Único atualizado;
  • documentos de todos que moram na casa;
  • comprovantes de renda ou ausência de renda.

Quanto mais completo estiver o pedido, maiores são as chances de o INSS compreender a realidade da família.

Conclusão

O laudo de autismo é fundamental, mas não garante sozinho o BPC/LOAS. O INSS também analisa a renda familiar, os impedimentos de longo prazo e as barreiras enfrentadas pela pessoa autista.

Se o benefício foi negado, é importante verificar o motivo do indeferimento, pois muitos casos podem ser corrigidos com novos documentos, recurso administrativo ou ação judicial.


Elaborado por Rosana das Neves Matos da Luz, inscrita na OAB/SC 48.603.

Advogada com 9 anos de experiência, mãe atípica e enfermeira de formação, com ampla experiência na área da saúde. Atua nas áreas do Direito Previdenciário, Direito da Saúde, Direitos das Pessoas Autistas e PcD e Direitos dos Servidores Públicos. É proprietária do escritório Rosana Neves Advocacia, com atuação em todo o Brasil.

Este conteúdo possui caráter informativo e foi elaborado com base na experiência profissional da autora, na legislação vigente e na jurisprudência aplicável à matéria na data de sua publicação.

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